Instituto Mondelli de Odontologia
Livro do TOI

Capítulo 36 — Dos 2 aos 3 Anos: O Estabelecimento da Dentição Decídua

O Tratamento Odontológico Ideal (T.O.I.) reconhece o período entre dois e três anos como uma etapa fundamental para a conclusão da dentição decídua, geralmente constituída por vinte dentes. Na Classificação Clínica da Dentição Decídua — Filosofia Mondelli, a conclusão da erupção dos segundos molares decíduos determina o encerramento da Fase Eruptiva e o início da Fase Passiva, independentemente da idade cronológica. Essa nova condição permite avaliar com maior precisão os espaços interdentários, o alinhamento e as relações oclusais, preparando a aplicação da classificação de Baume, com os Tipos I e II, e da Modificação Mondelli — Tipo III, caracterizada pelo apinhamento. A Prevenção permanece prioritária, especialmente na preservação dos molares decíduos e das condições naturais de espaço. O Compasso do Paciente, a Matriz Clínica e o Controle Ideal orientam o acompanhamento individualizado, integrando o Ciclo Construtivo do T.O.I. A Fase Passiva permanece até a primeira erupção clínica permanente ou esfoliação fisiológica decídua, que inicia a dentição mista. A conclusão da erupção decídua representa a oportunidade de compreender como a primeira dentição se organizou e estabelecer referências para acompanhar seu desenvolvimento até a dentição permanente. Dr. Adriano Lia Mondelli

Clínica Mondelli 20 min de leitura
Capítulo 36 — Dos 2 aos 3 Anos: O Estabelecimento da Dentição Decídua

PARTE IV — O T.O.I. AO LONGO DA VIDA

B — NASCIMENTO E DENTIÇÃO DECÍDUA

CAPÍTULO 36 — DOS 2 AOS 3 ANOS: O ESTABELECIMENTO DA DENTIÇÃO DECÍDUA

Da erupção dos últimos dentes decíduos à conclusão da Fase Eruptiva e ao início da Fase Passiva.

36.1 — A dentição decídua se aproxima de sua formação completa

Entre os dois e os três anos de vida, a dentição decídua aproxima-se de sua configuração completa. A erupção dos segundos molares decíduos representa uma das principais transformações dessa etapa, permitindo que as arcadas passem a apresentar progressivamente os vinte dentes que compõem a dentição decídua. Entretanto, a sequência e a época de erupção apresentam variações individuais, e nem todas as crianças completam esse processo exatamente na mesma idade.

Na Classificação Clínica da Dentição Decídua — Filosofia Mondelli, esse período representa, habitualmente, a etapa final da Fase Eruptiva, iniciada com a erupção do primeiro dente decíduo. Sua conclusão ocorre quando os segundos molares decíduos terminam sua erupção, caracterizando o estabelecimento clínico da dentição decídua.

A partir desse acontecimento, inicia-se a Fase Passiva, caracterizada pela relativa estabilidade dos eventos eruptivos e de substituição dentária, que permanecerá até o primeiro evento clínico que caracteriza o início da dentição mista.

A passagem de uma fase para outra não é determinada pelo terceiro aniversário da criança. O marco clínico é a conclusão da erupção dos segundos molares decíduos, respeitando o Compasso do Paciente.

Com a presença dos dentes anteriores e posteriores, as relações entre as arcadas tornam-se mais consistentes. A mastigação passa a contar com uma dentição mais organizada, enquanto os contatos proximais, os espaços interdentários e as relações oclusais podem ser avaliados com maior abrangência. Essas características representam informações importantes para compreender o desenvolvimento odontológico.

O T.O.I. considera essa fase um momento de transição entre a observação da dentição em formação e a avaliação de uma dentição estabelecida. A prevenção continua sendo prioridade, mas o diagnóstico passa a incorporar de maneira mais consistente as condições de espaço, a organização dos dentes e as relações funcionais que poderão influenciar as etapas seguintes.

36.2 — A erupção dos segundos molares decíduos

A erupção dos segundos molares decíduos constitui um marco importante no estabelecimento da dentição. Esses dentes completam os segmentos posteriores das arcadas e passam a participar das relações mastigatórias, ampliando a organização funcional da oclusão decídua.

Na classificação da Filosofia Mondelli, a conclusão da erupção dos segundos molares decíduos constitui o acontecimento que encerra a Fase Eruptiva.

O exame clínico deve identificar o estágio eruptivo, a posição dos dentes, as condições dos tecidos adjacentes e a integridade das superfícies dentárias. As fossas e fissuras oclusais exigem atenção preventiva, especialmente quando apresentam características retentivas associadas a fatores individuais de risco para cárie.

A chegada desses molares também permite observar de maneira mais completa a extensão das arcadas e as relações entre os dentes posteriores. Entretanto, a presença de dentes parcialmente erupcionados ou a ausência de um segundo molar decíduo ainda em desenvolvimento exige interpretação conforme o Compasso do Paciente.

Enquanto a erupção dos segundos molares decíduos não estiver concluída, a criança permanece na Fase Eruptiva, independentemente de sua idade cronológica.

O T.O.I. procura acompanhar essa erupção para assegurar que os últimos dentes decíduos sejam incorporados às medidas preventivas e à avaliação longitudinal desde sua chegada à cavidade bucal.

36.3 — A confirmação da dentição decídua completa

A dentição decídua completa é constituída por vinte dentes, distribuídos igualmente entre as arcadas superior e inferior. Quando todos estão presentes e adequadamente erupcionados, torna-se possível realizar uma avaliação mais abrangente de sua organização, incluindo as relações entre os dentes anteriores e posteriores.

A confirmação clínica deve considerar a presença dos elementos dentários, sua posição, a integridade das coroas e as condições periodontais. Alterações de número, forma ou erupção devem ser investigadas conforme seu significado clínico, sem que a simples diferença de idade em relação a outras crianças seja considerada suficiente para estabelecer um diagnóstico.

Na Classificação Clínica da Dentição Decídua — Filosofia Mondelli, a conclusão da erupção dos segundos molares decíduos determina o encerramento da Fase Eruptiva e o ingresso na Fase Passiva, nas condições habituais de desenvolvimento.

Essa transição representa uma mudança no estágio clínico da dentição, e não uma interrupção do crescimento ou da atividade biológica.

A presença dos vinte dentes não significa que todas as características das arcadas sejam definitivas. O crescimento craniofacial continua e algumas relações dentárias poderão apresentar modificações durante os anos seguintes. Entretanto, a dentição completa oferece uma referência importante para o acompanhamento longitudinal.

O T.O.I. procura utilizar essa etapa para estabelecer uma documentação clínica mais consistente, que permitirá comparar as condições da dentição decídua com aquelas observadas durante sua manutenção e posterior substituição.

36.4 — A organização dos espaços nas arcadas decíduas

Com a dentição próxima de sua formação completa, a distribuição dos espaços entre os dentes pode ser observada com maior clareza. Algumas crianças apresentam diastemas em diferentes regiões das arcadas, enquanto outras possuem contatos proximais mais próximos, com poucos espaços aparentes.

Essas características merecem atenção porque os dentes permanentes anteriores geralmente apresentam dimensões mesiodistais maiores que as de seus predecessores decíduos. A existência de espaços na dentição decídua pode contribuir para compensar parte dessa diferença durante a substituição dentária.

Entretanto, a presença de diastemas não garante alinhamento permanente adequado, assim como sua ausência não determina inevitavelmente o desenvolvimento de apinhamento. A interpretação depende das dimensões dentárias, do crescimento das arcadas e das modificações que ocorrerão durante a dentição mista.

O estabelecimento da dentição decídua, com o encerramento da Fase Eruptiva, oferece condições mais favoráveis para avaliar a distribuição dos espaços e reconhecer os padrões de organização das arcadas.

O T.O.I. procura reconhecer os espaços como uma informação clínica relevante, integrando sua observação ao acompanhamento do desenvolvimento e evitando previsões definitivas baseadas em uma característica isolada.

36.5 — A presença de diastemas como característica do desenvolvimento

Os diastemas da dentição decídua podem representar uma condição favorável para a futura acomodação dos dentes permanentes. Sua presença deve ser observada considerando a distribuição, a localização e as relações entre os dentes.

Alguns espaços apresentam localização característica, como aqueles encontrados na região anterior aos caninos superiores e posterior aos caninos inferiores, tradicionalmente denominados espaços primatas. Outros diastemas podem estar distribuídos entre os incisivos e em diferentes regiões das arcadas.

O registro dessas características permite compreender a organização da dentição decídua e estabelecer uma referência para as avaliações posteriores. Entretanto, a quantidade e a distribuição dos espaços variam entre os indivíduos, exigindo interpretação clínica individualizada.

O T.O.I. valoriza a identificação desses espaços porque eles representam parte das condições disponíveis durante o desenvolvimento, podendo contribuir para a organização das arcadas quando ocorrer a substituição pelos dentes permanentes.

36.6 — A ausência de diastemas e a necessidade de acompanhamento

Algumas crianças apresentam a dentição decídua com contatos proximais próximos e ausência de espaços aparentes entre os dentes. Essa condição pode indicar menor reserva de espaço para acomodar os dentes permanentes, especialmente na região anterior.

A ausência de diastemas, entretanto, não constitui isoladamente uma doença nem determina necessidade imediata de tratamento. Seu significado deve ser interpretado considerando as características individuais, a forma das arcadas, as dimensões dentárias e o desenvolvimento craniofacial.

O acompanhamento longitudinal permite verificar se a organização permanece estável e como as condições de espaço se relacionam com as modificações que ocorrerão nos anos seguintes. A documentação adequada facilita essa comparação e contribui para reconhecer precocemente possíveis discrepâncias.

O T.O.I. procura transformar a ausência de espaços em uma informação diagnóstica, e não em uma indicação automática de intervenção.

36.7 — O apinhamento na dentição decídua

Além dos arcos que apresentam diastemas e daqueles em que os dentes estão próximos, existe uma terceira condição clínica que merece atenção: a presença de apinhamento na própria dentição decídua.

Nesses casos, a relação entre o espaço disponível e as dimensões dentárias já se mostra desfavorável, podendo produzir rotações, deslocamentos ou sobreposições dos dentes.

O apinhamento deve ser distinguido de alterações isoladas de posição ou de características transitórias associadas à erupção. Seu reconhecimento exige avaliar a organização da arcada e verificar se existe uma discrepância efetiva entre o espaço disponível e o necessário para acomodar os dentes decíduos.

Essa condição apresenta importância porque os dentes permanentes anteriores geralmente possuem dimensões maiores que seus predecessores. Quando a dentição decídua já apresenta falta de espaço, existe maior preocupação com a possibilidade de apinhamento durante a substituição dentária.

O T.O.I. procura reconhecer esse sinal precocemente, permitindo que a condição seja documentada e acompanhada. Entretanto, sua presença não determina isoladamente o tratamento futuro, que dependerá da evolução e do diagnóstico em cada etapa.

36.8 — Os três padrões que serão classificados na dentição estabelecida

As características observadas durante o estabelecimento da dentição decídua permitem reconhecer três situações clínicas distintas: arcadas com diastemas, arcadas sem diastemas e arcadas com apinhamento. Essas condições representam diferentes relações entre a organização dentária e a disponibilidade de espaço.

A classificação de Baume descreve os arcos Tipo I, com espaçamentos, e Tipo II, sem espaçamentos. A proposta do T.O.I. acrescenta o Tipo III — Modificação Mondelli, caracterizado pela presença de apinhamento na dentição decídua.

Essa ampliação procura distinguir a ausência de espaços de uma condição em que a discrepância já se manifesta por alterações no alinhamento.

É necessário diferenciar essa classificação da Classificação Clínica da Dentição Decídua — Filosofia Mondelli, organizada em Fase Eruptiva e Fase Passiva.

A divisão em Fase Eruptiva e Fase Passiva identifica o estágio de desenvolvimento da dentição, com base nos acontecimentos eruptivos.

A classificação de Baume e a Modificação Mondelli descrevem a distribuição dos espaços e a presença ou ausência de apinhamento nas arcadas.

Portanto, as duas classificações apresentam finalidades distintas e complementares.

Durante o período de dois a três anos, a classificação dos espaços pode começar a ser considerada quando a dentição estiver suficientemente estabelecida. Entretanto, a avaliação realizada entre os três e os quatro anos permitirá documentar de maneira mais consistente as características da dentição completa.

O T.O.I. procura utilizar essa organização como instrumento de acompanhamento, preparando o diagnóstico que será desenvolvido no capítulo seguinte.

36.9 — A relação entre o espaço disponível e as dimensões dentárias

A organização dos dentes nas arcadas depende, entre outros fatores, da relação entre suas dimensões e o espaço disponível.

Quando existe espaço suficiente, os dentes podem apresentar alinhamento adequado e diastemas. Quando o espaço é mais limitado, os contatos proximais tornam-se próximos e, em determinadas condições, podem surgir alterações de posição relacionadas ao apinhamento.

Essa relação precisa ser interpretada considerando o desenvolvimento. A dentição decídua apresenta dimensões e características próprias, diferentes da dentição permanente. Por isso, a organização observada nessa fase oferece informações importantes, mas não permite determinar isoladamente o resultado da substituição dentária.

A avaliação deve considerar a forma das arcadas, a posição dos dentes e a presença de espaços ou discrepâncias. Quando necessário, registros clínicos podem contribuir para comparar essas características ao longo do crescimento.

O T.O.I. procura compreender a relação entre espaço disponível e dimensões dentárias antes que ocorram as transformações da dentição mista, permitindo que o acompanhamento posterior seja orientado por informações previamente documentadas.

36.10 — O estabelecimento das relações oclusais decíduas

Com a erupção dos segundos molares decíduos, as relações oclusais tornam-se mais completas. A presença dos dentes posteriores permite avaliar de maneira mais consistente os contatos entre as arcadas e determinadas características funcionais da dentição.

O exame clínico deve considerar as relações dos segundos molares decíduos, incluindo os planos terminais, as relações caninas, os trespasses horizontal e vertical e as condições transversais. Essas características poderão contribuir para interpretar a evolução das relações oclusais durante a dentição mista.

Entretanto, a oclusão decídua não deve ser considerada uma representação definitiva da dentição permanente. O crescimento craniofacial, a erupção dos primeiros molares permanentes e a substituição posterior dos dentes decíduos poderão modificar essas relações.

A conclusão da Fase Eruptiva permite estabelecer uma referência clínica mais abrangente das relações oclusais da dentição decídua, que poderá ser acompanhada durante a Fase Passiva.

O T.O.I. procura reconhecer a organização oclusal presente, identificar alterações relevantes e estabelecer uma referência para o acompanhamento longitudinal.

36.11 — A preservação dos molares decíduos

Os molares decíduos desempenham funções importantes durante vários anos, mesmo após a conclusão de sua erupção. Além de participarem da mastigação, contribuem para a manutenção das condições de espaço e para a organização das relações oclusais.

A perda precoce de um molar decíduo pode permitir movimentações dos dentes adjacentes e modificar o espaço disponível para os sucessores permanentes. As consequências dependem do dente perdido, do estágio de desenvolvimento, das relações oclusais e de outras características individuais.

Por essa razão, a prevenção da cárie e o tratamento oportuno das doenças dos molares decíduos possuem importância que ultrapassa sua permanência temporária na cavidade bucal. Sua preservação pode contribuir para evitar problemas posteriores relacionados à perda de espaço.

Durante a Fase Passiva, esses dentes continuarão desempenhando funções importantes, tornando necessária sua preservação até o momento fisiológico de substituição, sempre que clinicamente possível.

O T.O.I. procura assegurar que os dentes decíduos sejam tratados como estruturas fundamentais para o desenvolvimento, e não como elementos de menor importância por serem posteriormente substituídos.

36.12 — A prevenção da cárie na dentição decídua estabelecida

A ampliação da dentição exige continuidade das medidas preventivas. Com a presença dos molares e o estabelecimento de contatos proximais, aumentam as regiões que precisam ser higienizadas adequadamente.

A escovação realizada pelos responsáveis permanece fundamental, assim como a utilização apropriada de dentifrício fluoretado.

Quando os contatos proximais dificultam a limpeza, a orientação deve incluir a higiene interdental adequada, realizada com auxílio de um adulto. As recomendações alimentares continuam importantes, especialmente no controle da frequência de exposição aos açúcares livres.

A avaliação do risco individual de cárie permite definir a necessidade de medidas adicionais, como aplicações profissionais de fluoretos e outras estratégias preventivas. A indicação deve considerar as condições clínicas e as recomendações aplicáveis.

A conclusão da Fase Eruptiva não encerra as responsabilidades preventivas. Durante a Fase Passiva, a preservação dos dentes decíduos continua sendo essencial para manter as condições de saúde, função e espaço.

Essa continuidade integra o Ciclo Construtivo do T.O.I., no qual medidas preventivas e acompanhamento adequado procuram estabelecer condições favoráveis para as etapas seguintes do desenvolvimento.

O T.O.I. procura preservar a dentição decídua completa em condições saudáveis, evitando que doenças comprometam a função, a integridade dos dentes e as condições de espaço necessárias ao desenvolvimento posterior.

36.13 — O Período Ideal e o Compasso do Paciente

O estabelecimento da dentição decídua não ocorre exatamente no mesmo momento em todas as crianças. Algumas apresentam os vinte dentes antes de completar três anos, enquanto outras ainda se encontram em fase final de erupção.

Essas diferenças exigem interpretação individualizada.

Na Filosofia Mondelli, a idade dentária clínica é interpretada principalmente pelos eventos de erupção e esfoliação dentária.

Nesse período, a conclusão da erupção dos segundos molares decíduos constitui o acontecimento que determina a passagem da Fase Eruptiva para a Fase Passiva.

O Compasso do Paciente orienta a avaliação do estágio dentário, permitindo reconhecer quando a dentição apresenta condições adequadas para uma análise mais completa. A idade cronológica oferece uma referência, mas não substitui a observação clínica.

O Período Ideal das medidas preventivas acompanha as necessidades de cada dente e de cada estrutura. A avaliação das características de espaço torna-se mais consistente quando a dentição está estabelecida, enquanto intervenções relacionadas a doenças ou alterações relevantes devem ser realizadas conforme suas indicações.

O T.O.I. procura respeitar o desenvolvimento individual, evitando tanto a antecipação de diagnósticos definitivos quanto a perda de oportunidades preventivas.

O término da Fase Eruptiva não depende da idade registrada no calendário, mas da conclusão do acontecimento biológico que caracteriza essa transição.

36.14 — A documentação da dentição decídua completa

A documentação clínica assume importância especial quando a dentição decídua se aproxima de sua configuração completa.

Fotografias intraorais, registros escritos e outros recursos indicados podem permitir a identificação da posição dos dentes, da distribuição dos espaços e das relações oclusais.

Quando a dentição está suficientemente estabelecida, os registros podem incluir a caracterização preliminar do padrão de espaçamento das arcadas. A presença de diastemas, a ausência de espaços e as condições de apinhamento devem ser descritas de maneira objetiva.

Na Classificação Clínica da Dentição Decídua — Filosofia Mondelli, o registro da conclusão da erupção dos segundos molares decíduos permite identificar a passagem para a Fase Passiva.

Esse acontecimento representa um marco importante na documentação longitudinal, pois estabelece uma referência clínica para acompanhar a dentição decídua durante os anos seguintes.

A comparação com os registros realizados nos primeiros anos de vida permite compreender como as arcadas se organizaram durante a erupção.

O T.O.I. procura transformar a documentação em instrumento de continuidade diagnóstica, permitindo que as decisões futuras considerem o desenvolvimento individual.

36.15 — O Controle Ideal durante o estabelecimento da dentição

O Controle Ideal deve acompanhar a conclusão da erupção dos dentes decíduos e a manutenção de sua saúde. A periodicidade das avaliações depende do risco individual, das condições de higiene e das características do desenvolvimento.

Durante os retornos, o profissional deve verificar a integridade dos dentes, a efetividade das medidas preventivas e a evolução das relações oclusais. A distribuição dos espaços e a presença de possíveis discrepâncias também devem ser observadas, permitindo atualizar os registros clínicos.

A conclusão da Fase Eruptiva representa uma mudança no foco do acompanhamento. A observação da instalação progressiva dos dentes passa a ser complementada pela avaliação da manutenção da dentição estabelecida.

Na Fase Passiva, o Controle Ideal deverá acompanhar a saúde dos dentes decíduos, as condições de espaço, as relações oclusais e as modificações do crescimento craniofacial.

Quando existem alterações relevantes, o acompanhamento pode exigir avaliações mais próximas ou investigação complementar. Entretanto, a simples presença de uma característica diferente não determina obrigatoriamente necessidade de tratamento.

O T.O.I. procura manter o desenvolvimento sob observação, preservando a saúde e reconhecendo oportunamente as condições que possam influenciar as etapas seguintes.

36.16 — A Matriz Clínica do T.O.I. dos 2 aos 3 anos

A Matriz Clínica organiza o atendimento por meio de suas nove perguntas fundamentais, aplicadas à etapa final da Fase Eruptiva e à possível transição para a Fase Passiva.

O que orientar? Explicar aos responsáveis a importância da preservação dos dentes decíduos, especialmente dos segundos molares recém-erupcionados.

O que observar? Acompanhar a conclusão da erupção dos segundos molares decíduos, a distribuição dos espaços e as relações oclusais.

O que documentar? Registrar a presença dos dentes, a conclusão da Fase Eruptiva, quando observada, e as características da dentição estabelecida.

O que diagnosticar? Reconhecer doenças, alterações eruptivas, discrepâncias de espaço e condições funcionais relevantes.

O que prevenir? Proteger os dentes decíduos, orientar a higiene e controlar os fatores de risco para doenças bucais.

O que controlar? Verificar a efetividade das medidas preventivas, a integridade da dentição e a evolução das relações oclusais.

O que tratar? Realizar as intervenções indicadas pelo diagnóstico, respeitando as condições individuais.

Qual é o Período Ideal? Reconhecer as oportunidades preventivas e diagnósticas associadas à conclusão da dentição decídua e individualizar as demais condutas.

O que não podemos deixar passar? A conclusão da erupção dos segundos molares decíduos, que determina o encerramento da Fase Eruptiva e o início da Fase Passiva, além das necessidades de preservação e acompanhamento da dentição estabelecida.

A Matriz Clínica permanece constante em sua estrutura, mas suas respostas se modificam conforme o desenvolvimento individual.

36.17 — A Tríade do T.O.I. dos 2 aos 3 anos

A Prevenção concentra-se na manutenção da saúde dos dentes decíduos, especialmente dos molares recém-erupcionados, e no controle dos fatores de risco para cárie. A preservação dessas estruturas contribui para a função e para a manutenção das condições de espaço.

A Função envolve a avaliação das relações oclusais que se estabelecem com a dentição completa, incluindo os contatos posteriores, as relações caninas e os movimentos mandibulares.

A Estética deve ser interpretada dentro das características próprias da dentição decídua, considerando a presença de diastemas e outras condições de alinhamento.

O equilíbrio da Tríade exige que as decisões não sejam orientadas exclusivamente pela aparência dos dentes. A presença de espaços pode representar uma condição favorável ao desenvolvimento, enquanto o apinhamento merece atenção diagnóstica, mesmo quando sua repercussão estética é discreta.

O T.O.I. procura integrar saúde, função e estética, reconhecendo que a dentição decídua constitui uma etapa fundamental da organização odontológica ao longo da vida.

36.18 — O que não podemos deixar passar dos 2 aos 3 anos

A primeira responsabilidade é verificar a conclusão progressiva da erupção dos dentes decíduos e assegurar que todos recebam os cuidados preventivos necessários. Os segundos molares decíduos merecem atenção especial por sua importância funcional e pela anatomia de suas superfícies oclusais.

A conclusão de sua erupção deve ser reconhecida como o acontecimento que encerra a Fase Eruptiva e inicia a Fase Passiva da dentição decídua.

A segunda responsabilidade é preservar a integridade dos dentes decíduos, reconhecendo e tratando oportunamente doenças que possam comprometer sua permanência. A perda precoce de elementos posteriores pode modificar as condições de espaço e exigir avaliação específica.

A terceira responsabilidade é observar a organização das arcadas. A presença de diastemas, a ausência de espaços e o apinhamento devem ser identificados e documentados, preparando a classificação dos arcos decíduos quando a dentição estiver estabelecida.

A quarta responsabilidade é avaliar as relações oclusais e as condições funcionais, reconhecendo alterações relevantes sem antecipar intervenções desnecessárias. O acompanhamento deve considerar o desenvolvimento individual e a possibilidade de modificações posteriores.

A quinta responsabilidade é assegurar a continuidade do acompanhamento durante a Fase Passiva, reconhecendo que a relativa estabilidade eruptiva não representa ausência de crescimento, alterações oclusais ou necessidades preventivas.

Essas responsabilidades integram o Ciclo Construtivo do T.O.I., no qual a preservação da dentição decídua e o acompanhamento oportuno procuram estabelecer condições favoráveis para a dentição mista.

36.19 — Da dentição em formação à dentição estabelecida

Entre os dois e os três anos, a dentição decídua aproxima-se de sua organização completa. A erupção dos segundos molares permite avaliar de maneira mais abrangente os contatos dentários, as relações oclusais e a distribuição dos espaços nas arcadas.

Na Classificação Clínica da Dentição Decídua — Filosofia Mondelli, a conclusão da erupção desses dentes representa o encerramento da Fase Eruptiva, iniciada com o primeiro dente decíduo.

A partir desse acontecimento, inicia-se a Fase Passiva, caracterizada pela relativa estabilidade dos eventos de erupção e substituição dentária.

Essa fase permanecerá até o primeiro acontecimento que caracteriza o início da dentição mista, seja a erupção de um dente permanente, frequentemente o primeiro molar permanente, seja a esfoliação fisiológica do primeiro dente decíduo.

A Fase Passiva não significa ausência de desenvolvimento. Durante esse período, continuam ocorrendo crescimento craniofacial, adaptações funcionais, modificações oclusais e necessidades de prevenção e acompanhamento.

O T.O.I. procura utilizar a transição entre essas fases para consolidar a prevenção e estabelecer uma documentação clínica que permita acompanhar a evolução das condições de espaço.

A presença de diastemas, a ausência de espaços e os sinais de apinhamento deixam de ser apenas observações iniciais e passam a constituir características que podem ser avaliadas de maneira mais consistente.

No período seguinte, entre os três e os quatro anos, a dentição decídua geralmente apresenta condições favoráveis para uma classificação mais completa de sua organização. A classificação de Baume e a proposta do Tipo III — Modificação Mondelli permitirão distinguir diferentes padrões de espaço e relacioná-los ao planejamento longitudinal.

O acompanhamento adequado durante a Fase Eruptiva e sua continuidade na Fase Passiva integram o Ciclo Construtivo do T.O.I., contribuindo para preservar as estruturas dentárias e estabelecer condições favoráveis ao desenvolvimento posterior.

A conclusão da erupção decídua não representa apenas a chegada dos últimos dentes. Representa a passagem da Fase Eruptiva para a Fase Passiva e a oportunidade de compreender como a primeira dentição se organizou, estabelecendo referências para acompanhar o desenvolvimento das arcadas até a dentição permanente.

Próximo capítulo — Capítulo 37: Dos 3 aos 4 Anos — A Dentição Decídua Estabelecida.

 

Dr. Adriano Lia Mondelli