Instituto Mondelli de Odontologia
Livro do TOI

Capítulo 46 — O T.O.I. no Adulto: dos 30 aos 60 Anos

O Tratamento Odontológico Ideal (T.O.I.) reconhece o período dos 30 aos 60 anos como uma etapa de preservação ativa, na qual a história clínica acumulada de cada dente influencia as necessidades terapêuticas. A prioridade é identificar e controlar os Ciclos de Degradação dentária, periodontal e funcional, evitando que alterações inicialmente localizadas desencadeiem a Desestruturação em Cascata. A Filosofia Mondelli valoriza a preservação das estruturas naturais, a vitalidade pulpar, a estabilidade periodontal e a manutenção criteriosa das restaurações, evitando intervenções irreversíveis desnecessárias. Quando existem perdas dentárias ou necessidades reabilitadoras, a Pirâmide do T.O.I. orienta a integração entre diagnóstico, planejamento, execução clínica e Controle Ideal, impedindo tratamentos fragmentados. A Prevenção Recuperativa permite reorganizar situações comprometidas, enquanto a Tríade Prevenção, Função e Estética orienta a recuperação e a manutenção dos resultados. O acompanhamento longitudinal procura reconhecer alterações antes que produzam consequências extensas. Dos 30 aos 60 anos, o objetivo do T.O.I. é impedir que o tempo, as doenças e os tratamentos anteriores determinem uma trajetória progressiva de perdas. A prioridade é interromper a desestruturação em cascata e preservar, pelo maior tempo possível, a saúde, a função e a estética da dentição natural. Dr. Adriano Lia Mondelli

Clínica Mondelli 18 min de leitura
Capítulo 46 — O T.O.I. no Adulto: dos 30 aos 60 Anos

CAPÍTULO 46 — O T.O.I. NO ADULTO: DOS 30 AOS 60 ANOS

Da preservação à manutenção das estruturas: reconhecer os efeitos acumulados do tempo, interromper os processos de degradação e evitar a desestruturação em cascata.

46.1 — A maturidade da dentição permanente

O período compreendido entre os 30 e os 60 anos representa uma etapa importante na trajetória odontológica. A dentição permanente encontra-se estabelecida há muitos anos, e suas condições refletem a interação entre características biológicas, hábitos individuais, doenças, tratamentos realizados e oportunidades preventivas aproveitadas ou perdidas. Diferentemente das fases de desenvolvimento, em que a erupção e a organização das arcadas ocupam posição central, a atenção passa a se concentrar na manutenção das estruturas existentes e na identificação de alterações acumuladas ao longo do tempo.

Entretanto, a idade cronológica não determina, isoladamente, a condição odontológica. Alguns indivíduos chegam aos 60 anos com dentes íntegros, periodonto saudável e relações funcionais estáveis, enquanto outros apresentam perdas estruturais e necessidades reabilitadoras importantes ainda na terceira ou quarta década de vida. Essas diferenças demonstram que a evolução da saúde bucal depende de múltiplos fatores e não corresponde a uma sequência inevitável de deterioração.

O T.O.I. compreende essa etapa como um período de preservação ativa. Sua finalidade é reconhecer os processos de degradação, controlar suas causas, recuperar as condições comprometidas quando necessário e estabelecer um acompanhamento capaz de proteger os resultados. A maturidade não deve representar a aceitação progressiva das perdas dentárias, mas uma oportunidade permanente de conservar a saúde, a função e a estética.

46.2 — A história clínica acumulada de cada dente

A avaliação odontológica do adulto precisa considerar que cada dente possui uma história própria. Alguns permanecem íntegros desde sua erupção, enquanto outros passaram por restaurações, tratamentos endodônticos, desgastes, traumatismos ou alterações periodontais. Essas experiências modificam suas condições estruturais e influenciam as possibilidades de tratamento e preservação.

A presença de uma restauração não significa necessariamente que o dente esteja comprometido, assim como a ausência de restaurações não garante a inexistência de doenças. O diagnóstico deve avaliar a quantidade e a qualidade da estrutura remanescente, as condições pulpares e periodontais, a integridade das restaurações e a participação do elemento nas relações funcionais.

O T.O.I. procura compreender a dentição como um conjunto de estruturas com diferentes necessidades e prognósticos. O planejamento deve respeitar essa individualidade, evitando tanto intervenções desnecessárias em dentes estáveis quanto a negligência de alterações que possam comprometer sua manutenção futura.

46.3 — Os processos cumulativos de degradação

Ao longo da vida adulta, determinadas alterações podem apresentar efeitos cumulativos. Lesões de cárie, perdas estruturais, desgaste dentário e doenças periodontais podem comprometer progressivamente diferentes componentes do sistema estomatognático, especialmente quando seus fatores causais permanecem ativos.

Entretanto, esses processos não ocorrem necessariamente em todos os pacientes, nem apresentam velocidade uniforme. Um indivíduo pode manter condições estáveis durante décadas, enquanto outro apresenta alterações importantes em períodos relativamente curtos. A evolução depende da interação entre suscetibilidade, exposições, condições clínicas e medidas preventivas e terapêuticas.

O T.O.I. procura reconhecer os primeiros sinais dessas alterações antes que produzam consequências mais extensas. A finalidade não é atribuir ao envelhecimento uma deterioração inevitável, mas identificar processos específicos que possam ser prevenidos, controlados ou tratados.

46.4 — A desestruturação em cascata

A desestruturação em cascata corresponde ao processo pelo qual alterações inicialmente localizadas podem produzir consequências sucessivas sobre outras estruturas do sistema odontológico. Uma perda dentária, por exemplo, pode modificar as condições de contato, favorecer movimentações dos dentes adjacentes e alterar determinadas relações oclusais. Da mesma maneira, perdas estruturais extensas podem comprometer a resistência de um dente e aumentar a complexidade de sua recuperação.

Essa evolução não constitui uma sequência obrigatória. As consequências dependem da localização da alteração, das condições individuais, das relações funcionais e das medidas adotadas. Entretanto, o conceito permite compreender por que determinados problemas aparentemente isolados precisam ser avaliados em relação ao conjunto da dentição.

A desestruturação também pode envolver diferentes ciclos de degradação. Um dente pode apresentar comprometimento restaurador, outro pode desenvolver perda periodontal e um terceiro pode sofrer modificações de posição decorrentes de uma ausência dentária. Esses processos podem coexistir e influenciar-se mutuamente, sem necessariamente ocorrer na mesma intensidade ou na mesma ordem.

O T.O.I. procura interromper essas possíveis sequências por meio do diagnóstico abrangente, da preservação das estruturas e da organização adequada das intervenções. A finalidade é impedir que a resolução tardia de um problema exija tratamentos progressivamente mais complexos.

46.5 — A cárie e a progressão do ciclo restaurador

A cárie continua sendo uma condição relevante durante a vida adulta. Sua ocorrência depende da interação entre biofilme, exposição a açúcares fermentáveis, condições salivares, fatores individuais e medidas de proteção. A presença de restaurações anteriores não elimina o risco de novas lesões, especialmente quando os fatores causais permanecem ativos.

O diagnóstico deve distinguir lesões iniciais, cavitadas e associadas às margens restauradoras, avaliando sua atividade e as possibilidades de controle. Nem toda alteração observada junto a uma restauração representa cárie ativa, assim como nem toda restauração antiga necessita de substituição.

A substituição repetida de restaurações pode resultar em perda adicional de estrutura dentária, aumentando progressivamente a complexidade dos procedimentos. Por essa razão, a manutenção, o reparo e as alternativas minimamente invasivas devem ser considerados quando clinicamente adequados.

O T.O.I. procura interromper a progressão do ciclo restaurador, preservando a estrutura remanescente e controlando os fatores que favorecem novas lesões. A finalidade é evitar que um dente restaurado evolua desnecessariamente para tratamentos cada vez mais extensos.

46.6 — A preservação da vitalidade pulpar

A manutenção da vitalidade pulpar representa um objetivo importante na preservação dos dentes naturais. Lesões de cárie profundas, traumatismos, fraturas e determinados procedimentos restauradores podem comprometer a polpa, exigindo diagnóstico e condutas específicas.

A avaliação deve considerar os sintomas, os testes clínicos apropriados, a integridade estrutural e os achados dos exames complementares indicados. A possibilidade de preservar a vitalidade depende das condições pulpares e da natureza do comprometimento, não podendo ser determinada exclusivamente pela profundidade aparente de uma lesão.

Quando o tratamento endodôntico é necessário, sua realização deve integrar um planejamento que considere a restauração definitiva, a resistência do remanescente dentário e as condições periodontais. O tratamento do canal não encerra, isoladamente, a recuperação funcional do dente.

O T.O.I. procura preservar a vitalidade sempre que clinicamente possível e, quando isso não é viável, estabelecer condições adequadas para a manutenção do elemento tratado.

46.7 — A saúde periodontal e a preservação do suporte dentário

As doenças periodontais representam uma preocupação importante durante a vida adulta, especialmente porque a periodontite pode produzir perdas irreversíveis de inserção e suporte ósseo. Entretanto, a presença dessas alterações não deve ser considerada uma consequência inevitável do envelhecimento.

O diagnóstico periodontal deve avaliar sangramento à sondagem, profundidades de sondagem, níveis de inserção clínica, recessões gengivais, mobilidade e outros parâmetros relevantes. A interpretação deve considerar a distribuição das alterações, os fatores de risco e a atividade da doença.

O tratamento deve priorizar o controle dos fatores causais e a estabilização das condições periodontais. Em determinadas situações, procedimentos adicionais podem ser necessários, mas a manutenção depende do acompanhamento e da participação do paciente no controle diário do biofilme.

O T.O.I. procura preservar os tecidos de suporte como condição fundamental para a manutenção da dentição natural. A recuperação estética ou restauradora não deve ser planejada sem considerar a estabilidade periodontal.

46.8 — O desgaste dentário e suas diferentes origens

O desgaste dentário pode se manifestar progressivamente durante a vida adulta, mas sua presença não deve ser atribuída automaticamente à idade ou ao bruxismo. Processos erosivos, abrasivos e atritivos podem ocorrer isoladamente ou em associação, apresentando diferentes características e mecanismos.

O diagnóstico deve considerar a distribuição das perdas estruturais, os hábitos, as exposições químicas, as condições funcionais e a evolução observada nos registros clínicos. A presença de desgaste não determina, por si só, a necessidade de reconstrução restauradora.

Quando existe progressão significativa, comprometimento funcional, sensibilidade ou prejuízo estrutural, o planejamento deve avaliar medidas de controle e possibilidades terapêuticas. A reconstrução deve respeitar as condições oclusais, a quantidade de estrutura remanescente e os objetivos individuais.

O T.O.I. procura identificar a causa e a atividade do desgaste antes de realizar intervenções, evitando que procedimentos restauradores sejam utilizados sem o controle dos fatores associados.

46.9 — As modificações oclusais durante a vida adulta

As relações oclusais podem sofrer modificações ao longo da vida adulta em consequência de perdas dentárias, desgastes, movimentações dentárias, alterações periodontais e tratamentos realizados. Entretanto, a dentição também apresenta capacidade de adaptação, e nem toda modificação representa uma condição patológica.

O exame deve avaliar as relações entre as arcadas, os contatos dentários, a estabilidade das posições e a presença de alterações funcionais relevantes. A identificação de uma diferença oclusal não constitui, isoladamente, indicação de intervenção.

Quando existem perdas dentárias ou modificações estruturais importantes, o planejamento deve considerar suas possíveis consequências sobre os dentes remanescentes e as relações funcionais. A recuperação da oclusão exige compreender o conjunto, evitando tratamentos fragmentados.

O T.O.I. procura preservar ou recuperar condições funcionais adequadas, respeitando a individualidade e evitando procedimentos irreversíveis fundamentados exclusivamente em modelos oclusais idealizados.

46.10 — A perda dentária e suas consequências

A perda de um dente permanente representa uma alteração importante na organização da dentição. Dependendo de sua localização, das condições oclusais e do tempo decorrido, podem ocorrer movimentações dos dentes adjacentes, extrusões dos antagonistas e modificações na distribuição dos contatos.

Entretanto, essas consequências não são uniformes nem inevitáveis. O diagnóstico deve avaliar a situação específica, considerando os espaços existentes, a posição dos dentes remanescentes, as condições periodontais e as necessidades funcionais e estéticas.

A substituição de um dente ausente pode envolver alternativas ortodônticas, protéticas ou implantossuportadas, conforme as condições clínicas. A escolha não deve ser determinada exclusivamente pela disponibilidade de uma técnica, mas pelo planejamento integrado e pelo prognóstico das estruturas envolvidas.

O T.O.I. procura evitar perdas dentárias sempre que possível e, quando elas já ocorreram, impedir que suas consequências comprometam desnecessariamente o restante da dentição.

46.11 — A reabilitação oral como parte de um projeto integrado

Durante a vida adulta, alguns pacientes passam a apresentar necessidades restauradoras e reabilitadoras mais complexas. A presença de dentes extensamente restaurados, ausências dentárias ou alterações funcionais pode exigir a participação de diferentes especialidades.

A reabilitação não deve ser compreendida apenas como a substituição de estruturas perdidas. Seu planejamento precisa considerar as causas das perdas, a saúde periodontal, as relações oclusais, as possibilidades de preservação e a manutenção futura dos resultados.

Procedimentos restauradores, protéticos, implantodônticos, ortodônticos e periodontais podem participar de um mesmo projeto terapêutico. A sequência das intervenções deve ser organizada de maneira que cada procedimento contribua para o resultado global.

O T.O.I. procura evitar que a reabilitação se transforme em uma sucessão de tratamentos isolados. A finalidade é recuperar as condições necessárias, preservar os dentes remanescentes e estabelecer um sistema que possa ser acompanhado ao longo do tempo.

46.12 — Os implantes e a preservação dos dentes naturais

Os implantes osseointegrados representam um recurso importante para a reabilitação de determinadas ausências dentárias. Entretanto, sua disponibilidade não deve reduzir o compromisso com a preservação dos dentes naturais que apresentam possibilidades clínicas favoráveis de manutenção.

A decisão entre preservar um dente comprometido e substituí-lo por um implante exige avaliação individualizada. Devem ser considerados o prognóstico periodontal e restaurador, a quantidade de estrutura remanescente, as condições endodônticas, os riscos do tratamento e as necessidades do paciente.

Os implantes também estão sujeitos a complicações biológicas e mecânicas, exigindo planejamento e acompanhamento. Sua utilização não elimina a necessidade de controle periodontal, higiene adequada e manutenção das estruturas adjacentes.

O T.O.I. procura compreender o implante como uma alternativa de reabilitação quando indicada, e não como substituto automático de um dente natural que ainda possa ser preservado adequadamente.

46.13 — A importância da sequência terapêutica

A complexidade dos tratamentos durante a vida adulta reforça a importância da ordem dos procedimentos. Um paciente pode apresentar simultaneamente doenças periodontais, lesões de cárie, alterações oclusais, necessidades ortodônticas e demandas estéticas.

O planejamento deve estabelecer prioridades, geralmente iniciando pelo controle das doenças e pela estabilização das condições que possam comprometer as intervenções seguintes. A realização de procedimentos definitivos antes de resolver fatores relevantes pode dificultar a obtenção e a manutenção dos resultados.

A Pirâmide do T.O.I., organizada em Diagnóstico, Plano de Tratamento, Execução Clínica e Controle Ideal, orienta essa sequência. Cada etapa deve contribuir para a seguinte, evitando que decisões fragmentadas comprometam o conjunto.

O T.O.I. procura transformar a complexidade clínica em um projeto organizado, reconhecendo que a qualidade de cada procedimento depende também do momento em que ele é realizado.

46.14 — A estética na maturidade

Entre os 30 e os 60 anos, as necessidades estéticas podem apresentar características diferentes daquelas observadas na adolescência e no início da vida adulta. Alterações de cor, desgastes, restaurações antigas, recessões gengivais e perdas dentárias podem modificar a aparência do sorriso.

A avaliação estética deve considerar as condições estruturais, periodontais e funcionais. Procedimentos que envolvem desgaste dentário, substituição de restaurações ou modificações gengivais precisam ser fundamentados em diagnóstico e planejamento adequados.

A preferência por alternativas conservadoras permanece importante, especialmente porque intervenções restauradoras podem exigir manutenção ou substituição ao longo das décadas. A busca por resultados imediatos não deve comprometer a preservação das estruturas naturais.

O T.O.I. procura integrar a estética à saúde e à função, reconhecendo que a harmonia do sorriso deve ser construída sobre condições biológicas favoráveis.

46.15 — A influência das condições sistêmicas e dos medicamentos

Durante a vida adulta, determinadas condições sistêmicas e o uso contínuo de medicamentos podem adquirir maior relevância para o planejamento odontológico. Alterações metabólicas, cardiovasculares, imunológicas e outras condições de saúde podem influenciar riscos, cicatrização e necessidades de acompanhamento.

Alguns medicamentos podem modificar o fluxo salivar, favorecer alterações gengivais ou exigir cuidados específicos durante procedimentos odontológicos. A redução da saliva, por exemplo, pode aumentar a vulnerabilidade à cárie e comprometer o conforto e a função.

A anamnese deve ser atualizada regularmente, considerando diagnósticos médicos, medicamentos em uso e modificações relevantes no estado geral de saúde. Quando necessário, a integração com outros profissionais contribui para a segurança e a adequação do tratamento.

O T.O.I. procura compreender a saúde bucal dentro das condições gerais do paciente, evitando que o planejamento odontológico seja realizado de maneira isolada.

46.16 — A Prevenção Recuperativa no adulto

Muitos pacientes chegam ao T.O.I. entre os 30 e os 60 anos apresentando consequências de oportunidades preventivas não aproveitadas anteriormente. Restaurações extensas, perdas dentárias, doenças periodontais e alterações oclusais podem representar necessidades acumuladas ao longo de diferentes fases da vida.

A Prevenção Recuperativa procura identificar aquilo que ainda pode ser preservado, controlado ou recuperado. Sua finalidade não é reproduzir os procedimentos que poderiam ter sido realizados na infância ou na adolescência, mas compreender as condições atuais e estabelecer um planejamento capaz de proteger as estruturas remanescentes.

Em determinados casos, a recuperação pode envolver tratamentos periodontais, restauradores, endodônticos, ortodônticos ou reabilitadores. Entretanto, a execução desses procedimentos deve ser acompanhada do controle dos fatores que contribuíram para as alterações identificadas.

O T.O.I. reconhece que o início tardio do acompanhamento não impede a aplicação de seus princípios. O importante é estabelecer, a partir do momento presente, um projeto de tratamento e manutenção que aproveite as oportunidades ainda existentes.

46.17 — O diagnóstico integral diante de múltiplas necessidades

O adulto pode apresentar diferentes problemas simultaneamente, tornando insuficiente uma avaliação limitada à queixa principal. Uma necessidade estética, por exemplo, pode coexistir com doença periodontal, restaurações comprometidas ou ausências dentárias que influenciam o planejamento.

O diagnóstico deve compreender a condição de cada dente e sua relação com o conjunto. A avaliação periodontal, restauradora, endodôntica, oclusal e funcional precisa ser integrada, permitindo reconhecer prioridades e possíveis interferências entre os tratamentos.

A documentação clínica deve registrar as condições presentes e, quando possível, recuperar informações anteriores. Fotografias, modelos digitais e exames complementares indicados podem contribuir para compreender as alterações e planejar as intervenções.

O T.O.I. procura evitar que a resolução isolada de um problema comprometa o tratamento global. A finalidade é estabelecer um diagnóstico suficientemente abrangente para orientar decisões coerentes e duradouras.

46.18 — O Controle Ideal como proteção contra a degradação

O Controle Ideal assume importância crescente durante a vida adulta porque permite acompanhar estruturas que já apresentam diferentes histórias clínicas e necessidades de manutenção. Dentes íntegros, restaurados, tratados endodonticamente ou reabilitados podem exigir cuidados distintos.

A periodicidade dos retornos deve ser individualizada, considerando o risco de cárie, as condições periodontais, a presença de próteses ou implantes, a estabilidade oclusal e os hábitos do paciente. A manutenção não deve seguir um intervalo único independentemente das necessidades clínicas.

Durante os controles, o profissional deve identificar novas alterações, verificar a integridade dos tratamentos realizados e avaliar a evolução dos fatores de risco. A comparação com registros anteriores pode revelar modificações progressivas que não seriam percebidas em uma avaliação isolada.

O T.O.I. procura transformar o Controle Ideal em uma estratégia permanente de preservação, evitando que o paciente retorne apenas quando a degradação já produziu consequências extensas.

46.19 — A Matriz Clínica do T.O.I. dos 30 aos 60 anos

A Matriz Clínica organiza o atendimento por meio de suas nove perguntas fundamentais. Orientar significa explicar ao paciente os processos de degradação e a importância da manutenção. Observar envolve acompanhar a integridade dentária, as condições periodontais, as relações funcionais e os tratamentos existentes. Documentar corresponde ao registro das condições presentes e de sua evolução.

Diagnosticar exige reconhecer doenças, perdas estruturais, alterações funcionais e necessidades reabilitadoras. Prevenir significa controlar fatores de risco e preservar as estruturas remanescentes. Controlar corresponde ao acompanhamento longitudinal, enquanto tratar envolve intervenções organizadas conforme prioridades clínicas.

O Período Ideal orienta o momento das decisões, reconhecendo oportunidades de interromper processos de degradação antes que produzam consequências irreversíveis. A pergunta sobre aquilo que não pode passar despercebido reforça a necessidade de identificar alterações que possam desencadear ou intensificar a desestruturação em cascata.

46.20 — A Tríade do T.O.I. na maturidade

A Prevenção concentra-se na manutenção da integridade dentária e periodontal, no controle dos fatores de risco e na proteção das estruturas que ainda podem ser preservadas. A Função envolve a avaliação das relações oclusais, da mastigação e das necessidades de reorganização decorrentes de perdas ou alterações estruturais.

A Estética participa do planejamento, considerando as modificações que podem ocorrer ao longo da vida adulta e as expectativas individuais do paciente. Sua recuperação deve respeitar as condições biológicas e a necessidade de manutenção futura.

O equilíbrio da Tríade exige que os procedimentos restauradores e reabilitadores não sejam orientados exclusivamente pela aparência ou pela substituição de estruturas perdidas. A finalidade é integrar prevenção, função e estética em um projeto de tratamento coerente.

O T.O.I. procura preservar a saúde e recuperar as condições comprometidas sem perder de vista a estabilidade e a manutenção dos resultados ao longo do tempo.

46.21 — O que não podemos deixar passar dos 30 aos 60 anos

A primeira responsabilidade é reconhecer os processos cumulativos de degradação, identificando lesões de cárie, perdas estruturais, alterações periodontais e desgastes antes que produzam consequências mais extensas.

A segunda responsabilidade é avaliar a história individual de cada dente, distinguindo estruturas íntegras, restauradas e comprometidas, para estabelecer condutas proporcionais às necessidades clínicas.

A terceira responsabilidade é identificar possíveis situações de desestruturação em cascata, especialmente quando perdas dentárias, movimentações ou alterações funcionais começam a influenciar outras estruturas.

A quarta responsabilidade é organizar os tratamentos de maneira integrada, evitando procedimentos isolados que comprometam a sequência terapêutica ou reduzam as possibilidades futuras de preservação.

A quinta responsabilidade é estabelecer um programa de Controle Ideal individualizado, capaz de acompanhar os tratamentos realizados, controlar os fatores de risco e preservar as condições alcançadas.

46.22 — A preservação como objetivo central da maturidade

O período dos 30 aos 60 anos representa uma etapa em que a história odontológica acumulada passa a exercer influência importante sobre as necessidades presentes. As condições dos dentes, dos tecidos periodontais e das relações funcionais refletem experiências diferentes, exigindo diagnósticos e planejamentos individualizados.

O T.O.I. procura impedir que alterações localizadas evoluam para perdas progressivas e tratamentos cada vez mais complexos. Quando a degradação já ocorreu, sua finalidade é controlar os fatores envolvidos, recuperar as condições necessárias e preservar as estruturas remanescentes. A recuperação não deve ser confundida com a simples substituição de dentes ou restaurações, mas compreendida como parte de um projeto integrado de saúde.

A maturidade também representa uma oportunidade de consolidar a responsabilidade do paciente pela manutenção dos resultados. O acompanhamento contínuo, associado a decisões clínicas fundamentadas, permite que a passagem dos anos não seja interpretada como uma justificativa para a perda inevitável da dentição.

Dos 30 aos 60 anos, o objetivo do T.O.I. é impedir que o tempo, as doenças e os tratamentos anteriores determinem uma trajetória progressiva de perdas. A prioridade é reconhecer os processos de degradação, interromper a desestruturação em cascata e preservar, pelo maior tempo possível, a saúde, a função e a estética da dentição natural.

Próximo capítulo — Capítulo 47: O T.O.I. na Maturidade e no Envelhecimento: dos 60 Anos em Diante.

 

Dr. Adriano Lia Mondelli